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Discurso de S.E. Primeiro Ministro na abertura no debate sobre Boa Governança de Cabo Verde

Senhor Presidente da Assembleia Nacional

Senhores membros do Governo

Senhores Deputados

 

Em 1992, Cabo Verde foi dotado de uma Constituição moderna que erigiu os pilares da boa governação: liberdades civis e política, liberdade de imprensa, liberdade económica e estado de direito democrático.

A Constituição de 1992 é o elemento fundador da democracia que temos hoje.

A desestatização da economia, a liberalização do comércio, a liberalização cambial e das operações de capitais, a indexação do escudo cabo-verdiano ao euro e o sistema de regulação económica moldaram a economia que temos hoje.

Cabo Verde é o país mais livre da África, com posição 32 em 165 países do mundo no índice de Liberdades civis e Política.

Cabo Verde é o terceiro país da Africa no índice da Democracia, com posição 35 em 167 países do mundo.

Na Liberdade de Imprensa, Cabo Verde ocupa a posição 33 num total de 180 países.

 

Cabo Verde é o segundo melhor país em África no índice da Liberdade Económica.

Cabo Verde é o segundo país em África com melhor classificação no índice de transparência e corrupção, ocupando a posição 30 em 180 países.

Estes posicionamentos nos rankings internacionais são fatores distintivos do nosso país no concerto das nações.

Retratam a estabilidade e a boa governação do país, fatores hoje cada vez mais importantes para o desenvolvimento dos países.

São fatores de boa reputação internacional e de confiança nas relações com os parceiros de desenvolvimento e com os investidores.

A liberdade económica assegurada pelo primado da lei, pela eficiência do Governo e da regulação e pela abertura do mercado, é fundamental para a confiança dos investidores e das empresas nacionais e estrangeiras e para as decisões de investimento.

Transparência e baixos níveis de corrupção são fundamentais para a confiança dos cidadãos nas instituições e para a confiança dos investidores e dos empresários na economia do país.

No mundo conturbado em que vivemos, com guerras, conflitos, crescimento de regimes políticos autoritários e do populismo, o bom posicionamento de Cabo Verde é uma evidência muito positiva e uma responsabilidade acrescida para cuidar, proteger e aprimorar permanentemente a nossa democracia e assegurar a boa governação.

 

Temos que continuar a qualificar a nossa democracia.

Há reformas que aguardam a criação de condições políticas para a sua concretização no Parlamento, como é o caso da revisão do código eleitoral, nomeadamente para garantir a efetiva regularidade e oficiosidade do recenseamento eleitoral através do recenseamento eleitoral automático e aumentar o número de mulheres nos cargos eletivos do poder político.

Um conjunto de medidas de política foram adotadas para reforçar a independência e o pluralismo na comunicação social, como a criação do Conselho Independente da RTC, a revisão dos Estatutos da Agência Reguladora da Comunicação Social, o primeiro contrato de concessão com a agência noticiosa Inforpress e o reforço da info-inclusão.

Estão em curso a revisão da lei de incentivo do Estado à comunicação social, um novo contrato de concessão com a RTC, a lei que sobre a atribuição do estatuto de utilidade pública aos órgãos privados de comunicação social, a lei sobre a publicidade institucional.

 

A justiça independente, eficiente e efetiva é um pilar fundamental da realização do primado da lei e da confiança no Estado.

Nesse sentido, reduzir a morosidade na realização da justiça é a grande prioridade. Várias medidas de política têm sido adotadas, há um compromisso firme dos Conselhos Superiores do Ministério Público e da Magistratura Judicial e do Ministério da Justiça na execução do Plano de Redução de Pendências.

A implementação do Sistema de Informação da Justiça irá ter impacto importante na redução de pendências processuais, na transparência, produtividade e celeridade da justiça. A lei aguarda votação global final deste parlamento.

Também no Parlamento está a revisão das leis de Inspeção da Magistratura Judicial e do Ministério Público, importante para melhorar o desempenho da justiça.

 

O Parlamento e a formação de maioria qualificada, é condição necessária para as reformas da justiça. É importante manter e reforçar o engajamento parlamentar com as reformas.

É também nesse mesmo sentido que a eleição dos órgãos externos ao Parlamento deve ser realizada com a prioridade que o bom funcionamento das instituições e a qualidade da nossa democracia exige.

A prestação de contas, o controlo e a fiscalização financeira do Estado têm sido objeto de várias medidas, como o novo Estatuto do Tribunal de Contas, a publicação de contas no portal do Ministério das Finanças, a criação do Conselho de Finanças Públicas e do Conselho de Prevenção da Corrupção, a contratação pública eletrónica e a gestão das empreitadas, a lei de acesso e reutilização de documentos administrativos e o código de procedimento administrativo.

Em breve estaremos a lançar o Portal da Transparência.

A confiança macroeconómica e financeira ficou reforçada com a nova lei orgânica do Banco de Cabo Verde, o novo estatuto do INE, a lei da dívida pública e a nova lei de bases do OE que reforçam os limites à governação económica, importantes numa economia de mercado.

Reforçamos a transparência e a reputação internacional do país em matéria fiscal e financeira com a saída de Cabo Verde da lista da União Europeia de Jurisdições Fiscais não Cooperantes, a adesão de Cabo Verde ao Fórum Global sobre Transparência e Intercâmbio de Informações Fiscais (da OCDE) e a adesão à Convenção sobre Assistência Mútua Administrativa em Matéria Fiscal.

 

O Acordo de Concertação Estratégica 2024-2026 assinado com as centrais sindicais e as câmaras de comércio e de turismo, é uma iniciativa de compromissos que contribuem para melhorar a boa governança do país.

Um conjunto de políticas foram acordadas: (1) políticas de crescimento económico sustentável e resiliência; (2) política laboral; (3) políticas ativas de emprego e de empregabilidade; (4) política de rendimentos e preços; (5) políticas de proteção e de inclusão social.

Para além disso, os parceiros sociais acordaram sobre a necessidade de promover a paz social, a estabilidade, a inclusão social, o diálogo, a concertação e a confiança. Estes são alicerces importantes da boa governança.

 

Muito obrigado.