Na sequência da notícia publicada em 1 de fevereiro de 2026 pelos mídia internacional, sob o título “Famílias de turistas britânicos mortos por infeção em Cabo Verde recorrem à Justiça”, posteriormente reproduzida por outros meios internacionais, o Ministério da Saúde de Cabo Verde esclarece o seguinte:
- A abordagem adotada é grave, desproporcional e suscetível de induzir perceções alarmistas injustificadas sobre o Serviço Nacional de Saúde e sobre Cabo Verde, país amplamente reconhecido pela sua estabilidade, segurança e progressos consistentes nos principais indicadores de saúde pública.
- Do ponto de vista epidemiológico, os dados oficiais das autoridades competentes do Reino Unido indicam que as doenças infecciosas gastrointestinais, incluindo as associadas a Shigella, não figuram entre as causas relevantes de mortalidade. Trata-se de evento raro, de baixa letalidade, cujos óbitos se concentram predominantemente em indivíduos com vulnerabilidade clínica (UK Health Security Agency (UBHSA, 2024).
- Os relatórios de vigilância britânicos não identificam Cabo Verde como origem relevante de casos importados recentes. Do ponto de vista técnico, a mera coincidência temporal entre viagem e doença não constitui prova de causalidade. A determinação de nexo causal exige confirmação laboratorial, investigação ambiental estruturada e análise epidemiológica comparativa — elementos que não decorrem de alegações mediáticas nem de processos judiciais ainda em curso.
- Cabo Verde consolidou uma recuperação turística robusta no período pós-pandemia, ultrapassando um milhão de visitantes anuais e registando milhões de dormidas. O mercado britânico constitui uma das principais origens de turistas, com presença significativa na ilha do Sal. Considerando este universo, os episódios descritos representam, em termos estatísticos, ocorrência residual, não evidenciando qualquer padrão epidemiológico sustentado nem alteração do perfil sanitário nacional.
- Trata-se de processos de natureza jurídica, direcionados a entidades privadas.
- O Ministério da Saúde não aceita que alegações individuais, apresentadas em instâncias estrangeiras, sejam generalizadas ou instrumentalizadas para colocar em causa o sistema de saúde nacional e a boa imagem do país. Interesses particulares não podem sobrepor-se à evidência científica nem comprometer a reputação de uma nação construída ao longo de décadas.
Sendo a acusação dirigida a uma cadeia hoteleira privada, esta encontra-se obrigada ao cumprimento integral das normas sanitárias nacionais. O Ministério da Saúde tem vindo a acompanhar a situação com a devida atenção e, desde finais de 2025, acionou os serviços competentes para averiguação técnica, envolvendo a Rede Nacional de Laboratórios, os serviços de vigilância e segurança alimentar, a ERIS e a Inspeção-Geral das Atividades Económicas (IGAE), assegurando acompanhamento e avaliação rigorosos das condições sanitárias e operacionais.
Cabo Verde dispõe de um sistema de vigilância sanitária e epidemiológica sólido, reconhecido por parceiros internacionais, com ganhos acumulados no controlo de doenças transmissíveis, melhoria do saneamento, reforço da segurança alimentar e fortalecimento institucional. Estes progressos posicionam o país entre os mais seguros do continente africano em matéria sanitária e reforçam a confiança de investidores e visitantes.
Face ao exposto, não existem evidências epidemiológicas públicas que confirmem surto ativo, e os dados disponíveis não sustentam a interpretação apresentada na referida notícia.
O Ministério da Saúde de Cabo Verde continuará a atuar com rigor, responsabilidade técnica, transparência institucional e firmeza jurídica na defesa da sua credibilidade internacional, não permitindo que interesses particulares coloquem em causa o Ministério da Saúde, o Serviço Nacional de Saúde e a reputação do país enquanto destino seguro e Estado comprometido com padrões sanitários internacionais.