
O Ministro da Promoção de Investimentos e Fomento Empresarial, Eurico Monteiro, afirmou, esta quarta-feira, 14 de janeiro, que, desde a independência, Cabo Verde tem feito um percurso positivo no que refere ao mercado de trabalho, não obstante as dificuldades e os constrangimentos ainda existentes.
“E nos últimos anos também registamos, com satisfação, níveis que encorajam o sentido do futuro”, garantiu o Ministro, que discursava na abertura da conferência “Mercado de Trabalho em Cabo Verde: Competências para uma Nova Economia”, que reuniu, na Praia, os diversos stakeholders do setor, para uma reflexão sobre os desafios e as oportunidades do mercado de trabalho nacional.
Durante a sua intervenção, na qual destacou o papel central do emprego digno como elemento articulador entre o crescimento económico e o desenvolvimento humano, num contexto global cada vez mais volátil, incerto, complexo e ambíguo, o governante sublinhou que, à semelhança do que acontece noutras partes do mundo, o desenvolvimento sustentável e o combate às desigualdades em Cabo Verde dependem não apenas do crescimento económico, mas também da forma como a riqueza é gerada e distribuída.
Apesar dos desafios, indicou o Ministro, os indicadores são animadores, com os dados macroeconómicos e do mercado de trabalho apresentados em 2025, a refletirem uma evolução positiva no combate ao desemprego em Cabo Verde ao longo dos últimos dez anos. “Registamos avanços significativos, designadamente, com a queda da taxa do desemprego, de 15,8% em 2014 para 7,5% no 1º semestre de 2025, uma redução de 8,3 pontos percentuais, o que nos encoraja”, afirmou.
Além disso, indicou o governante, registou-se uma diminuição da taxa de inatividade de 41,7% para 39,1%, com a população inativa a atingir a marca de 146.732 pessoas, sendo 36,0% dos inativos, jovens na faixa etária dos 15-24 anos, na sua maioria, estudantes.
Por sua vez, prosseguiu, os grupos etários de 25-34 anos e de 35-64 anos registaram as mais altas taxas de emprego (74,0% e 79,0%, respectivamente), enquanto entre os jovens de 15-24 anos a taxa de emprego foi apenas de 30,0%, revelando necessidade do reforço na transição escola-trabalho.
A taxa de subutilização do trabalho, esta, frisou Eurico Monteiro, recuou para os 23,9% – uma redução de 4,9 pontos percentuais face ao mesmo período de 2024 (28,8%). Da mesma forma, prosseguiu, o número de jovens sem emprego e fora do sistema de ensino ou formação, na faixa dos 15 aos 35 anos, estimado em 32.177 jovens, recuou em comparação ao ano de 2024, que se encontrava situada na casa dos 41.158 jovens. Apesar dos ganhos registados, alguns dados ainda são objetos de preocupação, apontou o Ministro.
O governante apresentou ainda na ocasião, a visão do Governo para o mercado de trabalho até 2030, assente na promoção do trabalho digno, na redução do desemprego para níveis abaixo de 4,2% entre os homens e 5,9% entre as mulheres, na diminuição significativa dos jovens NEETs, com uma taxa de desemprego jovem abaixo de 10%, e no reforço da proteção social, com uma cobertura mínima de 80% dos trabalhadores. A meta passa ainda por reduzir as desigualdades regionais e de género e potenciar o aproveitamento do capital humano, especialmente dos jovens e das mulheres, num contexto de economia digital.
Para alcançar esses objetivos, o Ministro defendeu a implementação de uma nova geração de políticas de emprego, mais abrangentes, integradas e centradas nas pessoas, articulando políticas macroeconómicas pró-emprego, políticas industriais e de investimento, educação e formação profissional alinhadas com as necessidades do mercado, promoção da formalização do emprego, proteção social adaptada às transformações demográficas e tecnológicas, bem como sistemas modernos de informação do mercado de trabalho.
Eurico Monteiro destacou ainda o diálogo social tripartido como um pilar essencial para a eficácia das políticas públicas, sublinhando que investir em emprego é investir na coesão social, na sustentabilidade e num futuro do trabalho que não deixe ninguém para trás.



