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Governo ambiciona uma administração tributária digital e inteligente para garantir sustentabilidade do Estado e crescimento económico

A consolidação das finanças públicas de Cabo Verde passará por uma administração tributária mais eficiente, digital e orientada para resultados, capaz de assegurar o funcionamento do Estado sem aumento de impostos, afirmou o Vice-Primeiro-Ministro e Ministro das Finanças.

Olavo Correia fez estas declarações, à imprensa nesta quinta-feira, 08 de janeiro, à margem de uma visita efetuada à Alfândega da Praia, sublinhando que Cabo Verde vive um momento de transição climática, transição digital, transição para um país de rendimento médio-alto e para um novo quadro de financiamento que conta cada vez menos com a ajuda pública internacional e exige maior mobilização de recursos endógenos.

Segundo o Ministro das Finanças, para responder a este contexto, o Governo tem de assegurar a cobrança de impostos, sempre dentro do quadro legal. “De 2016 a 2026, quase duplicámos o volume de despesas públicas. Só ao nível do pessoal, passámos de cerca de 18 milhões de contos, em 2016, para uma folha salarial superior a 32 milhões de contos. Apenas nos últimos três anos, o aumento em salários ultrapassou os 100 milhões de euros”, afirmou.

O Estado tem atualmente uma despesa global anual de cerca de 97 milhões de contos, o que representa, conforme salientou o Vice-Primeiro-Ministro, uma elevada responsabilidade para a administração tributária, chamada a garantir os recursos necessários para o funcionamento eficaz do Estado. “Temos de fazer isso sem aumentar os impostos. Pelo contrário, temos vindo a reduzir as taxas, nomeadamente para as pessoas coletivas, que passaram de 25% em 2016 para 20% em 2026, com a ambição de alcançar os 15%”, acrescentou.

O Executivo procura, assim, assegurar um quadro em que os impostos não sejam aumentados. Olavo Correia sublinhou que o reforço da cobrança só pode ser alcançado através da formalização da economia, do reforço da fiscalização e do combate à fuga, fraude e evasão fiscais, bem como pela construção de uma máquina tributária mais inteligente, desmaterializada e digitalizada, assente no uso da inteligência artificial e na gestão eficiente de dados, de forma a otimizar a arrecadação de receitas.

O governante destacou ainda que a interoperabilidade entre os serviços do Estado será determinante para esta mudança de paradigma. “Na máquina pública, o que deve circular são os dados, não as pessoas”, defendeu, sublinhando que a circulação desnecessária de cidadãos representa desperdício de tempo, dinheiro e produtividade para a economia.

Entre os impactos esperados, estão melhorias significativas no desembaraço aduaneiro, na importação de viaturas, pequenas encomendas e mercadorias em geral, bem como maior previsibilidade para os cabo-verdianos da diáspora, que poderão simular os custos de importação antes mesmo de enviar os seus bens para o país.

O Governo já iniciou investimentos, através de um contrato de 9 milhões de dólares americanos, para a aquisição de equipamentos modernos de escaneamento com recurso à inteligência artificial, destinados a acelerar os processos alfandegários, reforçar a segurança e tornar os portos nacionais mais eficientes e competitivos.

Para Olavo Correia, estas reformas ultrapassam o setor das finanças e das alfândegas e inserem-se numa visão mais ampla de construção de um Estado digital, assente na identidade digital, assinatura eletrónica, pagamentos digitais, interoperabilidade e conectividade contínua e fiável. Trata-se de uma transformação que permitirá servir melhor os cidadãos, aumentar a confiança nas instituições e criar condições para um crescimento económico mais dinâmico e inclusivo.

“A nossa ambição é ter a Direção Nacional das Receitas do Estado como uma administração tributária totalmente desmaterializada, digitalizada e com serviços 100% digitais”, afirmou o Ministro das Finanças, acrescentando que existem condições para o efeito, ao nível dos recursos humanos, materiais e financeiros, bem como uma agenda clara e o empenho dos colaboradores para concretizar esta transformação.

De referir que, durante a manhã do mesmo dia, o Vice-Primeiro-Ministro e Ministro das Finanças visitou a Direção-Geral das Contribuições e Impostos (DGCI), no Plateau, e, no período da tarde, a Alfândega da Praia (DGA), com o objetivo de reforçar o diálogo institucional, avaliar o funcionamento dos serviços e transmitir as orientações estratégicas para o ano de 2026.