
O Secretário de Estado da Economia Digital, Pedro Lopes, afirmou, esta terça-feira, 17 de março, que o Governo continuará a implementar políticas públicas para o desenvolvimento do setor privado, aprimorando o ecossistema de financiamento da economia e adotando políticas públicas que incentivem e favoreçam o desenvolvimento do sistema financeiro e, consequentemente, o financiamento do setor privado.
Pedro Lopes fez esta afirmação ao presidir a abertura do Workshop sobre Oportunidades de Financiamento e Promoção do Investimento, realizado pelo Fundo Soberano de Garantia de Investimento Privado (FSGIP) e pela PROH CONSULTING, destinado a operadores económicos de diversos setores estratégicos, incluindo transporte aéreo, transporte marítimo, setor hoteleiro, energias renováveis e saúde.
O evento, que teve lugar na cidade da Praia, visou proporcionar aos participantes a oportunidade de ouvir diretamente financiadores externos sobre as oportunidades de financiamento e as condições de acesso aos recursos.
Na ocasião, Pedro Lopes saudou os organizadores pela iniciativa de realização deste workshop em Cabo Verde, sublinhando que a mesma engrandece e responsabiliza o país, ao mesmo tempo que testemunha o reconhecimento da importância da mobilização de financiamento e do reforço do investimento privado para o desenvolvimento de Cabo Verde, em especial no que se refere ao empenhamento na densificação e diversificação das oportunidades de financiamento e de investimento.
“A economia de Cabo Verde cresce com a expansão do setor privado e, em especial, das empresas. As nossas empresas são maioritariamente privadas e o setor empresarial privado emprega cerca de 93.000 pessoas, ou seja, gera 47% do emprego, realiza cerca de 75% do investimento, é o maior importador e o maior pagador de impostos. Hoje, asseguramos o financiamento de cerca de 90% do Orçamento do Estado com recursos internos, o que confere maior autonomia e sustentabilidade orçamental. Esta performance deve-se, em larga escala, ao contributo do setor privado e, em especial, do setor empresarial, através dos impostos que paga”, afirmou.
Entretanto, segundo Pedro Lopes, no setor empresarial cabo-verdiano predominam as microempresas, representando cerca de 82% do universo, mas apenas 31% do emprego e 3% da faturação. O governante defendeu que o seu crescimento é essencial para reforçar o setor empresarial, dinamizar a economia e impulsionar o emprego digno, sublinhando a necessidade de acesso a financiamento adequado, sobretudo para micro e pequenas empresas.
Em Cabo Verde, o crédito à economia equivale a cerca de 55% do PIB, enquanto os depósitos de particulares e sociedades não financeiras representam cerca de 84% do PIB, indicou o Secretário de Estado.
“Estamos cientes de que, para o desenvolvimento do setor privado, é necessário um adequado funcionamento do mercado, com o Estado a criar as condições para o seu bom funcionamento, a liderar o desenvolvimento do capital humano e a garantir a resiliência dos sistemas em tempos de crise; uma regulação que confira confiança duradoura, ou seja, um bom ambiente de negócios para o investimento; um sistema fiscal que favoreça o risco e a iniciativa privada e não desincentive o crescimento das empresas; e, sobretudo, mecanismos de financiamento alinhados com a ambição do país e com as necessidades de financiamento do setor privado”, afirmou.
Ao concluir, Pedro Lopes sublinhou que o Executivo prosseguirá com a implementação de políticas públicas orientadas para o fortalecimento e desenvolvimento do setor privado, com destaque para uma política fiscal favorável ao crescimento empresarial, o reforço dos incentivos à inovação, ao empreendedorismo e à incubação de empresas, bem como a continuidade das reformas estruturais para fortalecer a base produtiva.
“A agenda inclui ainda a aceleração da transição digital das micro, pequenas e médias empresas, a promoção do investimento privado em setores estratégicos como a economia azul, a economia digital, a transformação agrícola, o turismo de valor acrescentado e a transição energética, além da reforma administrativa e da digitalização da Administração Pública, e o reforço de parcerias para a criação de competências digitais, com vista a impulsionar o setor privado a ganhar escala e a competir nos mercados internacionais”, indicou.
O workshop contou ainda com as intervenções do Presidente do Conselho de Administração do FSGIP, João Fidalgo, e do Diretor da Capital Finance, Momar Dieye.
De realçar que o FSGIP tem como missão garantir a emissão de valores mobiliários e conceder garantias para operações de financiamento às empresas privadas cabo-verdianas, promovendo a sua internacionalização. Este workshop constitui uma oportunidade crucial para reforçar a ligação entre o setor empresarial e as instituições de financiamento.



