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Discurso de S. E., o Primeiro Ministro de Cabo Verde, Dr. Francisco Carvalho, na Tomada de Posse do Governo da XI Legislatura

O projeto de governação que hoje iniciamos assenta numa convicção simples, mas poderosa: nenhum cabo-verdiano deve ficar para trás. É esta visão que dá sentido ao nosso compromisso de construir um Cabo Verde Para Todos.

Saudações,

A importância deste momento de tomada de posse reside no profundo significado que ele carrega. Este é o ato formal que marca o início de uma nova etapa na vida do nosso país. Hoje, constitui-se a linha da frente de uma equipa de trabalho que assume a honrosa missão de governar Cabo Verde, com humildade, sentido de responsabilidade e total dedicação ao povo cabo-verdiano.

Mais do que a formação de um Governo, este momento representa a renovação de uma esperança coletiva. A esperança de que é possível responder às necessidades mais urgentes das famílias cabo-verdianas, ao mesmo tempo que construímos as bases de um futuro mais próspero, mais justo e mais inclusivo para todos.

O projeto de governação que hoje iniciamos assenta numa convicção simples, mas poderosa: nenhum cabo-verdiano deve ficar para trás. É esta visão que dá sentido ao nosso compromisso de construir um Cabo Verde Para Todos.

Trata-se de um sonho renovado para o nosso país. O sonho de que é possível garantir as necessidades básicas de todos os cabo-verdianos e, simultaneamente, lançar as bases para respostas mais complexas, estruturantes e transformadoras.

Temos de responder ao essencial. Temos de responder ao básico, hoje, aqui e agora. Porque só assim conseguiremos travar e inverter esta sangria de jovens que, diariamente, continuam a procurar na “Terra Longe” as oportunidades que desejamos que encontrem na sua própria terra.

Mas este sonho que hoje renovamos não nasce do nada. Ele é o revigorar de um longo caminho de sonhos, de coragem e de utopias transformadas em realidade por homens e mulheres que nos antecederam e que ousaram acreditar num Cabo Verde melhor.

Desde a primeira hora, Amílcar Cabral apontou-nos o caminho quando afirmou que era tempo de construir “uma nova terra dentro da nossa própria terra”. Norberto Tavares lançou-nos o apelo de “olharmos para a frente”. Renato Cardoso lembrou-nos que “tud kriston, tud simbrom, tem direit a sé gota d’água”, numa poderosa afirmação da igualdade, da dignidade e dos direitos de todos os cabo-verdianos.

É nessa herança de luta, esperança e visão que nos inspiramos.

Ontem, Cabo Verde viveu mais um momento histórico na consolidação da sua democracia. Pela primeira vez na nossa História, uma mulher foi eleita para presidir à Assembleia Nacional. A eleição da Presidente Janira Hopffer Almada representa uma conquista para a democracia cabo-verdiana, para as mulheres de Cabo Verde e para todas as gerações que acreditam numa sociedade cada vez mais justa, inclusiva e representativa.

Por isso, fica aqui reafirmado o compromisso que o povo cabo-verdiano validou através das urnas: o compromisso de garantirmos uma mudança real no nosso amado Cabo Verde, com o acesso gratuito aos cuidados de saúde; o acesso gratuito à universidade pública e à formação profissional; e a construção de um sistema de transportes verdadeiramente acessível, capaz de aproximar pessoas, ligar ilhas, criar oportunidades e fortalecer a unidade nacional.

Porque a mobilidade não é apenas uma questão de transporte. É uma questão de igualdade de oportunidades. É uma questão de desenvolvimento económico. É uma questão de coesão territorial. E, acima de tudo, é uma condição essencial para que cada cabo-verdiano, independentemente da ilha onde nasceu ou vive, possa sentir-se plenamente integrado no projeto coletivo da Nação cabo-verdiana.

Ao mesmo tempo, estaremos a trabalhar para construir respostas estruturantes nas áreas da ciência, da inovação, da segurança, da paz, da habitação, da sustentabilidade energética, do acesso à água, da sustentabilidade ambiental, da educação, do setor primário, do turismo, do mar, da cultura, da juventude e do desporto, entre tantas outras áreas decisivas para o futuro do país.

A democracia nunca é uma obra concluída. A democracia exige vigilância permanente, cuidado diário e uma capacidade constante de renovação. Exige o fortalecimento das instituições, mas também a coragem de criar mecanismos de reforma capazes de responder aos novos desafios do nosso tempo.

Por isso, estaremos igualmente empenhados no aprofundamento da democracia em todas as ilhas de Cabo Verde, reforçando a participação dos cidadãos e fortalecendo a confiança nas instituições republicanas.

Vivemos num mundo marcado por incertezas. Mas, entre as poucas certezas que nos orientam, existe uma que ilumina o nosso caminho todos os dias: a certeza de que a confiança dos cidadãos na política, nos políticos e nos partidos só pode ser conquistada através de resultados concretos.

Não há outro caminho.

O único caminho é trabalhar, cumprir a palavra dada e honrar os compromissos assumidos perante o povo cabo-verdiano. O único caminho é produzir resultados, sem desculpas e sem desvios.

É por isso que quero deixar uma mensagem clara aos membros deste novo Governo.

Meus companheiros: o trabalho é tudo o que nos espera.

Trabalho. Trabalho. Trabalho.

Vamos trabalhar com as condições que encontrarmos. Somos todos filhos desta terra. Não viemos de lado nenhum. Conhecemos a realidade do nosso país e sabíamos os desafios que nos aguardavam.

Não haverá espaço para justificações assentes na falta de condições ideais. A questão fundamental não é o que faríamos se tivéssemos outras circunstâncias. A questão fundamental é o que vamos fazer, aqui e agora, com os recursos que temos, para melhorar a vida das pessoas.

O povo espera respostas. E é isso que temos o dever de entregar.

Dirijo igualmente uma palavra à comunidade internacional, apelando ao seu apoio para a concretização do programa de governação que o povo de Cabo Verde aprovou democraticamente nas urnas.

A comunidade internacional esteve ao lado de Cabo Verde desde a hora zero da República, desde o momento em que conquistámos a independência, há cinquenta anos, em 1975. Esse apoio foi decisivo ao longo do nosso percurso e continuará a ser importante nos desafios que temos pela frente.

Vamos continuar juntos no combate à pobreza e na transformação de Cabo Verde num país cada vez mais desenvolvido, próspero e inclusivo.

À nossa imensa e estimada diáspora, que sempre esteve presente nos momentos decisivos da nossa história e que continua a ser uma das maiores forças da Nação cabo-verdiana, deixo igualmente uma mensagem de confiança e união.

Vamos continuar juntos na construção do desenvolvimento do nosso país.

E que, daqui a cinco anos, possamos estar novamente reunidos para fazer o balanço desta governação que hoje se inicia. Que possamos olhar para trás com orgulho e verificar que os compromissos assumidos foram cumpridos. Que possamos sentir, na vida concreta das pessoas, os resultados positivos desta caminhada.

Que todos aqueles que escolheram Cabo Verde para viver e trabalhar sintam a melhoria das suas condições de vida. E que todos os cabo-verdianos, dentro das ilhas e espalhados pelos quatro cantos do mundo, possam sentir que este país avançou, cresceu e se tornou mais justo, mais solidário e mais próximo de todos.

Que possamos dizer, com serenidade e orgulho, que honrámos a confiança do povo, que cumprimos a palavra dada e que deixámos às futuras gerações um Cabo Verde mais forte, mais unido e mais preparado para enfrentar os desafios do futuro.

Porque governar é servir. E servir Cabo Verde é a maior honra que a vida pública nos pode conceder.

Muito obrigado e Viva Cabo Verde Para Todos!