
Arrancou hoje, na cidade do Mindelo, o workshop de validação do Relatório de Avaliação sobre o Comércio Transfronteiriço de Peixe em Cabo Verde, acompanhado de uma reunião consultiva com as partes interessadas nacionais, evento que decorre até a próxima sexta-feira, dia 27.
O Ministro do Mar, Jorge Santos, que presidiu a abertura do workshop, sublinhou a importância estratégica deste momento, destacando que a validação do relatório permitirá uma reflexão aprofundada sobre o comércio transfronteiriço do pescado, bem como sobre a valorização de toda a cadeia de valores do setor.
Reforçou que Cabo Verde fez “uma opção muito certa” ao colocar a Economia Azul no centro do seu modelo de desenvolvimento, sendo a pesca, a transformação e a comercialização do pescado pilares fundamentais dessa estratégia, tendo afirmado tratar-se de uma atividade que, embora primária, tem um forte efeito multiplicador em toda a economia.
O encontro reúne diversos parceiros nacionais e internacionais, incluindo representantes do Secretariado da ZCLCA, em parceria com a Fundação Mastercard e a TradeMark África, além de técnicos nacionais e outros intervenientes do setor.
Jorge Santos destacou os avanços já alcançados no setor das pescas, com o desenvolvimento da pesca industrial, semi-industrial e artesanal, bem como o crescimento da transformação de pescado, que já ocupa um lugar relevante na economia nacional e referiu ainda a presença de empresas transnacionais em Cabo Verde e o papel das plataformas logísticas, como a Cova da Inglesa, o porto do Mindelo, Palmeira e o porto do Tarrafal, na agregação de valor à atividade, tendo de seguida enfatizado a necessidade de reforçar o sistema de conhecimento e controlo de qualidade, com destaque para a inspeção do pescado, o financiamento da cadeia de valor e a melhoria das condições de acondicionamento e comercialização.
Outro ponto salientado pelo Ministro foi a aposta recente na aquacultura, com projetos liderados pela Nortuna e pela Fazenda do Camarão, que introduzem novas dinâmicas ao setor e exigem igualmente elevados padrões de qualidade para conquistar mercados.
Entre os objetivos traçados, Jorge Santos apontou o aumento da captura, associado à industrialização do setor e ao investimento na formação profissional, como fatores essenciais para garantir um produto diferenciado e competitivo.
Destacou ainda os avanços ao nível da criação de uma rede de mercados e infraestruturas, com a legislação já preparada para o arranque das lotas da Praia e de São Vicente, e perspetivas de expansão para o Tarrafal de São Nicolau e o Sal, facilitando tanto a primeira venda como o comércio a retalho.
O Ministro concluiu sublinhando as vantagens diretas para os pescadores, nomeadamente a possibilidade de agregação de valor ao produto, diversificação de mercados, incluindo o setor do turismo, e fornecimento à indústria transformadora nacional, reforçando a competitividade e sustentabilidade do setor das pescas em Cabo Verde.



