
O Primeiro-Ministro, Francisco Carvalho, realçou esta sexta-feira, 30, em Lisboa, que a melhoria das condições de formação, emprego e habitação é fundamental para que os cabo-verdianos possam concretizar os seus projetos de vida no país, sem encararem a emigração como a única alternativa. O Chefe do Governo reconheceu ainda que a decisão de sair do país envolve razões económicas, pessoais e individuais, sublinhando, contudo, que o Estado pode intervir na melhoria das condições de vida e na criação de oportunidades.
“O Estado pode melhorar as condições nos contextos de origem. O Estado pode criar condições para que o indivíduo comece a acreditar, a ver que é possível materializar os sonhos no contexto de origem”, afirmou.
Exemplificando, Carvalho apontou o acesso gratuito às universidades públicas, implementado no presente ano letivo, considerando que a possibilidade de prosseguir os estudos em Cabo Verde pode contribuir para reduzir a saída de jovens que procuram formação no estrangeiro.
Segundo o Primeiro-Ministro, o objetivo é criar condições para que quem queira permanecer no país possa fazê-lo e concretizar as suas aspirações. O Chefe do Governo destacou ainda criação de emprego como uma prioridade da ação governativa.
“O emprego é o maior projeto social que nós podemos implementar no nosso país”, declarou, defendendo um Estado que facilite a atividade do setor privado e proporcione condições favoráveis à criação de postos de trabalho.
À par disto, a habitação foi outra das áreas destacadas, com Francisco Carvalho a sublinhar a necessidade de garantir habitação digna, em quantidade suficiente e com qualidade, reconhecendo que a procura de uma casa e de melhores condições de vida também motiva a saída de cidadãos.
Sobre a crise habitacional em Portugal e as preocupações dos cabo-verdianos residentes naquele país, o Primeiro-Ministro reafirmou que ouvir a diáspora faz parte do trabalho do Governo e constitui o foco da visita.
O Chefe do Governo defendeu que as políticas públicas devem refletir as reivindicações e as aspirações dos cidadãos, recordando que os cabo-verdianos residentes no estrangeiro também participam nas eleições legislativas e nas escolhas que determinam o futuro de Cabo Verde.
Francisco Carvalho assegurou que o diálogo com a diáspora abrange todas as matérias que a comunidade considere importantes, para que as suas preocupações possam ser acolhidas na definição de respostas públicas.
Quanto ao reforço das relações com Portugal, o Primeiro-Ministro apresentou os contactos com a Universidade NOVA de Lisboa como um exemplo concreto da cooperação nas áreas do ensino superior e da investigação. Neste âmbito, manifestou a intenção de recuperar iniciativas anteriormente identificadas com a instituição e de aprofundar essa colaboração.


