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Primeiro-Ministro ouve comunidade em Portugal e assume acompanhamento das preocupações apresentadas.

O Primeiro-Ministro, Francisco Carvalho, comprometeu-se, este domingo, 1 de novembro, na Damaia, em Portugal, a dar seguimento às preocupações apresentadas pela comunidade cabo-verdiana, defendendo maior proximidade das instituições e um diálogo que permita acompanhar os problemas para além dos encontros presenciais.
Durante várias rondas de intervenções, os participantes partilharam experiências, apresentaram propostas e pediram respostas sobre o acompanhamento dos doentes evacuados, as dívidas universitárias, a regularização de imigrantes, os transportes aéreos e as oportunidades para os artistas da diáspora.
“Garantimos que estamos aqui com um único foco: recolher os problemas e as dificuldades para podermos trabalhar e melhorar a resposta”, afirmou o Chefe do Governo, manifestando a disponibilidade para analisar as situações apresentadas, distinguindo as questões que exigem intervenção das instituições cabo-verdianas daquelas que dependem de articulação com as autoridades portuguesas.
Revisão do acompanhamento dos doentes evacuados
A situação dos doentes evacuados para Portugal esteve entre os temas que suscitaram mais intervenções. Virgínia Dias, que se apresentou como técnica auxiliar de saúde num hospital que recebe pacientes cabo-verdianos, reconheceu o trabalho da Embaixada, mas apontou dificuldades no acompanhamento dos doentes.
Outros participantes defenderam apoio psicológico aos pacientes e às famílias, maior articulação entre os serviços e melhor organização dos períodos de espera por consultas e exames. Em resposta, o Primeiro-Ministro reconheceu a pressão sobre o alojamento, o financiamento e o acompanhamento dos pacientes. Referiu que um espaço de alojamento em Portugal deverá entrar em funcionamento e assumiu o compromisso de rever os procedimentos.
“Vamos analisar os processos e até repensá-los, para ver como melhorar as respostas. É essa a garantia que deixamos”, declarou, acolhendo também a proposta de estudar a possibilidade de regresso temporário a Cabo Verde dos doentes com intervalos prolongados entre consultas, desde que o estado de saúde permita a viagem. A digitalização dos processos e o alargamento da telemedicina foram igualmente apontados como prioridades.
Dívidas universitárias serão analisadas com a universidade
Na educação, um antigo estudante, tratado por Mário, relatou dificuldades na obtenção de documentação académica devido a dívidas universitárias e questionou a resposta às situações anteriores à gratuitidade do ensino superior público.
“Não nos sentimos incluídos no vosso projeto de universidade para todos. Falo por mim e por dois colegas meus que hoje não conseguiram estar cá”, afirmou, Francisco Carvalho distinguindo as duas matérias e comprometeu-se a analisar as dívidas anteriores em articulação com a universidade, sem antecipar uma solução.
“O problema das dívidas de propinas vamos analisar em conjunto com a universidade. Vamos ver que posição tomar”, respondeu, realçando que o objetivo da gratuitidade é permitir que os jovens prossigam e concluam os estudos, evitando que dificuldades financeiras determinem o abandono da formação.
Preparação para emigrar e contacto direto com o Governo
As dificuldades de regularização em Portugal, incluindo a obtenção de documentos, também foram apresentadas pela comunidade. Francisco Carvalho afirmou que estas questões exigem análise e diálogo com as autoridades portuguesas.
Anunciou ainda a intenção de retomar o programa de preparação pré-partida, integrado na estratégia nacional de emigração e desenvolvimento, e a criação de conselhos das comunidades, como instrumentos de informação e participação dos cabo-verdianos no exterior.
Perante críticas à distância entre os cidadãos e as instituições, defendeu um canal de contacto que permita receber perguntas e acompanhar as preocupações da diáspora.
“Temos de abrir um canal para que possam fazer perguntas diretamente ao Governo e para podermos responder. Não tem de ser apenas presencialmente”, afirmou Chefe do Governo, manifestando também a intenção de reunir com dirigentes associativos, valorizando o seu papel no acompanhamento dos compatriotas e na apresentação de propostas.
Cultura, segurança e transportes também em debate
Uma artista relatou dificuldades em obter resposta institucional para um projeto ligado à cultura cabo-verdiana e pediu maior atenção ao cinema, ao teatro e aos profissionais destas áreas.
Respondendo, Francisco Carvalho, reconheceu a necessidade de melhorar a resposta às diferentes expressões artísticas e solicitou a recolha do contacto da participante para estabelecer uma ligação com o Ministério da Cultura.
Na segurança, uma jovem apresentou preocupações sobre violência baseada no género, violência sexual contra crianças, ataques cibernéticos e extremismo nas redes sociais. O Primeiro-Ministro defendeu uma abordagem preventiva, assente também na educação, na formação profissional e no emprego.
Os transportes aéreos motivaram igualmente reclamações sobre viagens e bagagens. Na resposta, o governante referiu a reestruturação da transportadora aérea, anunciou para os próximos dias um novo conselho de administração e indicou a intenção de abrir uma delegação em Lisboa, além de analisar outras possibilidades de representação.
O potencial de desenvolvimento da ilha do Maio também foi abordado, tendo Francisco Carvalho reafirmado a intenção de apostar na ilha.

Diálogo com continuidade
Na intervenção de boas-vindas, a representante da Embaixada de Cabo Verde em Portugal destacou o contributo da comunidade para os dois países e o trabalho das associações no acolhimento das famílias, no apoio aos jovens e na preservação da identidade cabo-verdiana.
Ao longo do encontro, Francisco Carvalho assegurou que haverá novas oportunidades de diálogo para acompanhar as questões apresentadas e procurar respostas em articulação com a Embaixada, as associações e os cidadãos.