
“O desencravamento das zonas altas do concelho dos Mosteiros é um grande projecto. Temos de assumí-lo como bandeira deste Governo”, é com esta determinação que o Primeiro Ministro, Francisco Carvalho, respondeu à proposta do Presidente da Câmara dos Mosteiros, Fábio Vieira, que pediu duas novas estradas: uma que liga Cutelo Alto a Penedo Rachado e outra que parte de Cutelo Alto até ao centro de Monte Velha.
São projectos ambiciosos que, materializados, permitirão aos produtores dessa região, bastante produtiva, escoar em melhores condições seus produtos agrícolas, particularmente café e frutas, e reduzir, quiça eliminar, a perda de cerca de 30 toneladas de frutas, anualmente.
Os recursos para financiar essas importantes infraestruturas rodoviárias devem estar inscritos nos próximos orçamentos, conforme indicação do Primeiro Ministro, no encontro com o Presidente da Câmara dos Mosteiros.
A Ministra da Agricultura, Eveline Ramos, adiantou que o programa Pró-Água, financiado pelo FIDA vai beneficiar a ilha do Fogo, com acções que agregam valor aos produtos-agro-pecuários da ilha.
Ainda no quesito melhoria da produção agrícola, o Ministro da Economia, António Baptista, garantiu que o ministério que tutela vai implementar projectos integrados que visam acrescentar valor a toda cadeia produtiva, com a transferência de competências que permitem por em prática a transformação industrial dos produtos.
O Presidente da Câmara dos Mosteiros falou dos vários ganhos no domínio da educação, mas também de desafios, particularmente no domínio da habitação social, recebendo a garantia do Ministro das Infraestruturas que o município vai ser contemplado pelo novo programa Casa para Todos e verbas para reabilitação de residências.
Outro grande problema apontado é no domínio ambiental. Fábio Vieira alertou para o que considera ser “um grande atentado ambiental” na zona da Baleia, onde uma empresa privada extrai inertes para construção civil.
São Filipe se posiciona como produtor e abastecedor do mercado
O Presidente da Câmara de São Filipe, Nuías Silva, apresentou ao Chefe do Executivo um conjuntos de propostas de parceiras para a materialização de projectos que impulsionam o desenvolvimento do seu município, da ilha e da região Fogo/Brava.
Um dos grandes projectos apresentados pelo autarca é a construção do matadouro municipal, considerado pelo Presidente da Câmara de São Filipe como o primeiro industrial de Cabo Verde, orçado em 40 mil contos, em fase final de construção. Do Governo espera parceria, para conseguir igual montante para equipar a infraestrutura que permitirá o abate, acondicionamento e embalagem de carne, tendo o mercado turístico como alvo, com produtos de valor acrescentado, que respeitam normas internacionais.
Paralelamente, o autarca de São Filipe falou do projeto do Parque Agro-Alimentar, que deverá ficar situado na zona de Monte Barro. A estratégia camarária prevê integrar no parque o Centro de Pós-Colheita, construído em 2015 e que está abandonado e, por isso, pediu ao Governno que ceda a posse do espaço ao município para ser incorporado ao parque.
Após ouvir os projectos, o Primeiro Ministro reiterou o que tem dito nos diferentes encontros: O Presidente da Câmara é quem melhor conhece a realidade das localidades, é um autêntico Ministro do Território, para considerar que as propostas apresentadas são coerentes e que vão ao encontro das expectativas das pessoas.
O Presidente da Câmara de São Filipe pediu parceria do Governo para melhorar o déficit habitacional, arruamentos e construir equipamentos sociais e desportivos, como a ciclovia, tendo recebido garantia do Ministro das Infraestruturas de que o Governo será parceiro de São Filipe, a começar com a retoma das obras do Complexo Casa Para Todos, cujo montante estimado para a conclusão, 140 mil contos, será inscrito no orçamento do próximo ano.
O Governo também assegurou ao autarca que o município deverá contar com mais uma farmácia, conforme pedido feito por Nuías Silva que conseguiu, ainda, o parecer favorável para que São Filipe seja palco dos Jogos Escolares em 2027.
O Presidente da Câmara de São Filipe, que no presente é também Presidente da Associação dos Municípios Fogo/Brava, apresentou projetos que terão impactos regionais, como o reforço do Gabinete de Desenvolvimento Regional, que precisa de mais recursos para contratar mais técnicos, tendo recebido compromisso do Governo em apoiar financeiramente para que o gabinete possa contratar engenheiros, topógrafos e arquitetos para servir os 4 municípios e colaborar com o Governo, por exemplo na monitorização da manutenção rodoviária.
Questões relacionadas com grandes infraestruturas, como ampliação e/ou deslocalização do porto, ampliação do aeródromo de São Filipe, merecerão atenção do Governo que promete recursos nos orçamentos futuros.
Brava pode ser modelo em energia sustentável
No encontro com o Presidente da Câmara da Brava, o Primeiro-Ministro ouviu as necessidades imediatas apresentadas pelo autarca Amândio Brito, como reabilitação de casas, construção de estradas de acesso para localidade de Rasca, onde fica a central dissalinizadora e para Cabo Té, fez as contas e concluiu que praticamente todos os pedidos são atendíveis e materializáveis. A edificação de parques infantis, em praticamente toda ilha, será também realidade. Mas há questões estruturais, cuja solução ainda não foi encontrada e continuam a preocupar e a condicionar o desenvolvimento da ilha. Uma delas, é a questão dos transportes.
“A questão dos transportes continua a nos apoquentar. É um dos problemas estruturais da ilha de prioridade alta, altíssimo”. Com estas palavras o Presidente da Câmara da Brava, Amândio Brito, começou a expor ao coletivo governamental os principais desafios que o mais pequeno município do país enfrenta.
O Presidente da Câmara da Brava, à semelhança dos demais, também enalteceu a iniciativa do Primeiro-Ministro, Francisco Carvalho, de se reunir com todos os presidentes das câmaras, pois acredita que é a melhor forma de se alinhar as ações do Governo com as da Câmara e vice-versa.
A irregularidade na ligação marítima, de e para a ilha, continua a ser a principal reivindicação dos bravenses. A posição é assumida por Amândio Brito que apela para que “ninguém vá à Brava com receio de poder regressar. Há que haver certeza, se sim ou se não”, arrematou o Presidente da Câmara da Brava que teve a garantia do Governo de que a embarcação recém-adquirida, Eugénio Tavares, vai ter sua base no porto de Furna para assegurar ligações regulares com a ilha do Fogo.
A melhoria do atendimento na área da saúde foi outro desafio apontado pelo autarca bravense que pediu novas valências médicas para a o centro de saúde da ilha, para se reduzir as transferências de doentes para a ilha do Fogo, com todos os problemas que acarreta. Amândio Brito lamenta situação daqueles que são obrigados a viajarem para fora da ilha em busca de saúde. “É triste ver uma pessoa a desfazer de seu animal para ir fazer uma consulta de especialidade no Fogo”. Do Ministro da Saúde, Lúcio Fernandes, recebeu a garantia de que as obras de beneficiação da infraestrutura sanitária serão retomadas, imediatamente, e a ilha contará com mais especialidades médicas, para se reduzir as transferências de doentes para os hospitais do Fogo ou de Santiago.
Ainda associada à questão sanitária, a ilha enfrenta também um sério desafio no abastecimento de água, tanto em quantidade quanto na qualidade. Pediu uma solução urgente para se melhorar a qualidade e a quantidade de água, o que deve acontecer com a entrada em funcionamento da central dissalinizadora de Furna, após a colocação de filtros para melhor a qualidade do líquido.
Ligada à produção da água está a questão da energia. O Primeiro-Ministro defendeu a ideia de se transformar a ilha Brava na primeira com energia sustentável, limpa, quase a 100% e pediu os demais governantes para se aproveitar a oportunidade para se transforma a ilha num modelo em energia sustentável.
Relativamente à perda da população, ficou claro que é um problema que afeta vários pontos do país e a ilha Brava não foge à regra. Para ajudar na fixação de pessoas, nas localidades e na ilha, o Presidente da Câmara da Brava apelou à retoma de serviços anteriormente existentes na localidade de Nossa Senhora do Monte e que deixaram de existir. “No passado tínhamos em Nossa Senhora do Monte Correios, serviços bancários, Posto Sanitário, escola, tudo funcional. Agora…nada”, lamentou.
Apesar da ilha ter várias casas praticamente desabitadas, com os proprietários a residirem fora da ilha, o Presidente da Câmara da Brava pediu ao Governo construção habitações sociais, mas num modelo diferente. Pede construção de casas individuais, em diferentes localidades, em vez da concentração de blocos de apartamentos num único ponto, proposta que será avaliada.



