
O Primeiro-Ministro, Francisco Carvalho, realçou esta quinta-feira, 10 de setembro, na Praia, o compromisso do Governo em aprofundar a parceria estratégica com o Sistema das Nações Unidas, considerando-a fundamental para responder aos desafios do país e acelerar as transformações necessárias ao desenvolvimento de Cabo Verde.
A posição foi defendida durante a Reunião de Alto Nível entre o Governo de Cabo Verde e a Equipa País das Nações Unidas, realizada na sede do Ministério das Finanças, na cidade da Praia, sob o lema “Parceria Estratégica para acelerar as grandes transformações de Cabo Verde”. O encontro reuniu o Primeiro-Ministro, vários membros do Governo, a Coordenadora Residente das Nações Unidas e Chefes e Representantes das Agências, Fundos e Programas das Nações Unidas presentes no país.
A sessão contou igualmente com intervenções da Coordenadora Residente das Nações Unidas, Patrícia Portela Souza, do Ministro dos Negócios Estrangeiros e Comunidades e do Primeiro-Ministro, Manuel Amante da Rosa, além de momentos de diálogo destinados a identificar áreas de convergência e novas possibilidades de cooperação entre o Executivo e o Sistema das Nações Unidas.
Durante a sua intervenção, o Primeiro Ministro, Francisco Carvalho, destacou a solidez e a vitalidade da relação existente entre Cabo Verde e as Nações Unidas, salientando a convergência entre as prioridades do Governo e as grandes linhas de atuação das Nações Unidas.
Refira-se que a reunião aconteceu no quadro da entrada em funções do novo Governo e marcou uma nova etapa na parceria estratégica entre Cabo Verde e as Nações Unidas, tendo como referências o Programa do Governo “Cabo Verde para Todos” e o Quadro de Cooperação das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável 2023-2027.
O líder do Governo considerou particularmente importante que este diálogo aconteça num contexto internacional marcado por profundas mudanças e desafios, defendendo o reforço da confiança, do diálogo e da cooperação multilateral como instrumentos essenciais para enfrentar os problemas que afetam as sociedades.
O Primeiro-Ministro reconheceu ainda o contributo histórico das Nações Unidas para o desenvolvimento de Cabo Verde, sem esquecer do apoio prestado em áreas como a saúde, a educação, o acesso à água, o saneamento, a segurança alimentar e nutricional, a boa governação, os direitos humanos, a transparência e a justiça.
No quadro da agenda “Cabo Verde para Todos”, Carvalho defendeu o aprofundamento desta parceria, com atenção especial para a modernização do Estado, transformação digital, economia azul, setor primário, ação climática, descentralização, coesão territorial, juventude e desenvolvimento do capital humano.
Entre os eixos discutidos no encontro estiveram a Economia Azul, a Transformação Digital e o Desenvolvimento Local e a Coesão Territorial, áreas consideradas estratégicas para gerar emprego, atrair investimento, aumentar a produtividade e reduzir as desigualdades territoriais.
O Chefe do Governo sublinhou, entretanto, que o combate à pobreza, a inclusão social e a redução das desigualdades territoriais constituem prioridades fundamentais, defendendo políticas públicas centradas nas pessoas e na criação de condições para uma vida digna em todas as ilhas.
“O carro tem que continuar em movimento”
Continuando, Francisco Carvalho fez questão de sublinhar que a reunião representa o início de uma nova etapa, mas também a continuação de uma relação de parceria que o Governo pretende aprofundar.
O Primeiro-Ministro reconheceu o trabalho desenvolvido pela Equipa País das Nações Unidas e considerou que as apresentações e intervenções realizadas durante o encontro evidenciaram uma clara sintonia entre o Programa do Governo e as grandes linhas de intervenção das Nações Unidas.
Para Francisco Carvalho, essa convergência torna clara a pertinência e atualidade da agenda do Governo, mas exige também uma postura dinâmica, capaz de acompanhar permanentemente as transformações da sociedade.
“O mundo está a mudar, os conceitos ganham novos significados, temos de reinterpretá-los, enquanto as coisas acontecem. Por isso, nós não vamos ficar parados ao lado do carro, enquanto trocamos o pneu. O carro tem que continuar em movimento”, afirmou Francisco Carvalho, acrescentando que os conceitos, assim como os indicadores e as políticas públicas devem ser permanentemente confrontados com a realidade e ajustados às mudanças que ocorrem na sociedade.
O Primeiro-Ministro chamou também a atenção para aquilo que considera ser um desencontro entre as expectativas das populações e aquilo que os governos, de forma geral, têm conseguido entregar, defendendo uma reflexão mais profunda sobre a capacidade das políticas públicas para responder efetivamente às necessidades das pessoas.
Quatro prioridades para acelerar a transformação
Nesse sentido, Francisco Carvalho apontou quatro áreas que considera fundamentais para o desenvolvimento de Cabo Verde, sendo elas a criação de emprego, a formação, capacitação e especialização do capital humano, bem como o aumento da rentabilidade das iniciativas económicas e o envolvimento efetivo do setor privado.
Relativamente ao capital humano, defendeu que o país deve ir além da formação e da sensibilização, apostando cada vez mais na especialização, de modo a garantir recursos humanos qualificados e capazes de responder às necessidades dos diferentes setores da economia.
Carvalho apontou o aumento da rentabilidade das atividades económicas como uma condição essencial para criar novas perspetivas para os cabo-verdianos, sobretudo para os jovens.
Segundo o Primeiro-Ministro, é necessário criar condições para que as pessoas encontrem em Cabo Verde oportunidades suficientes para concretizar os seus projetos de vida, reduzindo a perceção de que melhores condições e possibilidades de realização só podem ser encontradas fora do país.
“As pessoas têm de perceber que se ficarem aqui em Cabo Verde vão ter rentabilidade suficiente para materializar aquele estilo de vida que, até agora, só era possível materializar lá fora”, frisou.
Concluindo, Francisco Carvalho destacou a necessidade de um envolvimento efetivo do setor privado e da diáspora no processo de transformação do país, defendendo uma participação que vá além do discurso e se traduza em ações concretas.



